Uma breve história apocalíptica da psicanálise
No coração da psicanálise esconde-se um trauma apagado. É aquele sofrido por Sigmund Freud no dia em que soube que uma de suas pacientes quase morreu após uma cirurgia que ele havia aprovado. Inconscientemente identificada como uma repetição da mutilação genital sofrida por Emma Eckstein em sua infância, essa operação despertou nele fortes angústias, que ecoavam sua própria circuncisão, o contexto violentamente antissemita e o conflito com seu pai. O reconhecimento desse fato, mantido oculto por tanto tempo, revela uma nova narrativa sobre a fundação da psicanálise, permitindo compreender como Freud pôde elevar a castração ao status de forma a priori do traumático, ocultando ao mesmo tempo as mutilações genitais frequentemente impostas a mulheres e meninas. O trauma não reconhecido da circuncisão inscreveu se, assim, no sistema de pensamento freudiano como uma herança amputada, da qual brotaram e floresceram os sonhos e fantasias de seus discípulos mais próximos. Em especial, Sándor Ferenczi, aluno e confidente de Freud, contribuiu para reconhecer esse corpo ferido, lançando novas bases para a teoria e a prática psicanalítica.
R$ 165,00
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Este livro parte da perspectiva de que a autoanálise empreendida por Freud em textos autobiográficos configura um convite para que os psicanalistas se questionem sobre as escritas de si (autobiografia, diários íntimos, autoficção…). No entanto, a expressão “escrita de si” também se refere, de forma mais ampla, ao uso que Freud fez da escrita em primeira pessoa para criar a psicanálise – em um diálogo consigo mesmo, que institui o outro (o leitor) como testemunha de um pensamento em construção.
Partindo da escrita sobrevivente – com destaque para Imre Kertész –, Chiantaretto propõe uma reflexão a respeito da sobrevivência como um modo de ser e de pensar, característica da clínica dos limites.
Viver é perder. Cada um deve consentir em morrer no próprio processo da vida, aceitar a perda de si na escolha dos possíveis e na possibilidade da perda do outro. No entanto, há outra figura dessa perda, que caracteriza os funcionamentos chamados limites em sua dimensão melancólica: a perda de si no outro que desapareceu para si mesmo. Ou, dito de outra forma, a incorporação, pelo infans, da negação que o outro primordial infligiu a si próprio. Como sobreviver a essa forma inaugural de perda de si?
R$ 96,00
Ensaios entre psicanálise e filosofia
Neste livro, o leitor encontrará artigos que abordam temas importantes da psicanálise e da filosofia, como a interação da teoria com a clínica psicanalítica, uma análise clínica e filosófica das relações entre corpo e afeto, assim como questões relativas à política, à estética e aos processos de subjetivação contemporâneos. Para abordá-los a contento, os autores de referência utilizados foram aqueles que, tanto no domínio psicanalítico quanto no filosófico, voltaram-se para uma visão crítica da ortodoxia. Com Espinosa, Nietzsche, Deleuze, Guattari, Ferenczi, Winnicott, Fairbairn e Stern, dentre outros, o autor busca pensar a psicanálise de forma diferente, abrindo novos caminhos para os que se interessam pelos campos da clínica e da cultura.
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