Este livro parte da perspectiva de que a autoanálise empreendida por Freud em textos autobiográficos configura um convite para que os psicanalistas se questionem sobre as escritas de si (autobiografia, diários íntimos, autoficção…). No entanto, a expressão “escrita de si” também se refere, de forma mais ampla, ao uso que Freud fez da escrita em primeira pessoa para criar a psicanálise – em um diálogo consigo mesmo, que institui o outro (o leitor) como testemunha de um pensamento em construção.
Partindo da escrita sobrevivente – com destaque para Imre Kertész –, Chiantaretto propõe uma reflexão a respeito da sobrevivência como um modo de ser e de pensar, característica da clínica dos limites.
Viver é perder. Cada um deve consentir em morrer no próprio processo da vida, aceitar a perda de si na escolha dos possíveis e na possibilidade da perda do outro. No entanto, há outra figura dessa perda, que caracteriza os funcionamentos chamados limites em sua dimensão melancólica: a perda de si no outro que desapareceu para si mesmo. Ou, dito de outra forma, a incorporação, pelo infans, da negação que o outro primordial infligiu a si próprio. Como sobreviver a essa forma inaugural de perda de si?
Filósofo e psicólogo, é psicanalista e membro do Quatrième Groupe. Vive e trabalha em Paris. É professor emérito de Psicopatologia Clínica na Université Sorbonne Paris Nord, onde dirigiu, entre outros projetos, a Unidade Transversal de Pesquisas Psicogênese e Psicopatologia. Desde 1995, seus livros são guiados pela questão da interlocução interna, abordada a partir da autoanálise na escrita e da clínica dos limites.
Saiba mais
Prefácio da edição brasileira – A criança mal acolhida no divã: além da sobrevivência
Daniel Kupermann
Prefácio
Prólogo
Do tratamento à escrita, idas e vindas
Primeira parte: Os começos
1. A inquietude das origens, a inquietude nas origens
2. O original, o originário
Segunda parte: Os recomeços
3. O re-começo ferencziano
4. Começar, recomeçar
5. A acolhida do mal-acolhido
Terceira parte: A escrita dos limites
6. As palavras da sobrevivência
7. Escrever para
8. Escrever contra
Quarta parte: A existência limite
9. A desaparição ou a perda
10. Da cultura à cura: o mal-estar da transparência
Epílogo – Transferência do analista, escrita(s) de transferências
Adendo – O si em questões