Refrações da tolerância e da intolerância no mundo contemporâneo
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Ao longo da leitura desta obra, entendi por que implico com assertivas como “fulano de tal é uma pessoa muito humana”, “o hospital oferece tratamento humanizado”, entre tantas outras que equacionam a natureza sapiens a um alto grau de respeito à dignidade alheia. A autora nos instiga a considerar nossa atávica propensão à intolerância. Antes mesmo de conhecer alguém (tarefa sempre nublada e incompleta), tendemos a idealizar ou… depreciar. Triunfamos sobre a alteridade que nos aflige, num ímpeto defensivo, atribuindo-lhe faltas e excessos. Irrompemos neste mundo tão precariamente e aqui vivemos sedentos de amor, por isso mesmo constituindo a espécie mais afeita a dogmatismos, a fanatismos, a racismos e a todas as formas de ataque às diferenças. Odiamos o que frustra nossas ânsias narcísicas.
Nunca perderá a importância um livro como este, que ilumina as feições da hostilidade, essa força psíquica destrutiva, às vezes sorrateira, e profundamente humana.
- Carolina Scoz
Membro efetivo, analista didata e atual diretora científica da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Campinas (SBPCamp). Membro efetivo e docente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Membro do Grupo de Estudos de Operacionalidade Clínica do Conceito de Ser-um-com-o-outro.
Prefácio
Vera Lamanno-Adamo
1. As múltiplas faces da intolerância
2. Raízes profundas: intolerância psíquica e barbárie
3. A marca do tempo: contribuições culturais
4. Espelhos da intolerância
5. Intolerância/tolerância, maldade/bondade
6. Estudo clínico: a complexidade da tolerância e intolerância na era contemporânea
7. Conclusão