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Onde está a ironia? A pesquisa de Marina Carrilho mantém presente, em cada capítulo, a sustentação de uma postura curiosa e investigativa que vai além da esquizofrenia, nos convidando a pensar também o lugar da transferência e, aos moldes socráticos, o lugar ético de se tratar o Outro em sua inconsistência – já que o riso é também concretização de sentido e forma de se fazer laço.
No grego, eironeia é a dissimulação ou pergunta que se faz ao interlocutor fingindo ignorância. Era o método socrático para confundir os sofistas com o objetivo de colocar em xeque a fragilidade de qualquer conhecimento, mostrando seu caráter de opinião ou leitura parcial da realidade: “Quando tiverem prática com o esquizofrênico, vocês saberão da ironia que o arma, atingindo a raiz de toda relação social” (Lacan em Respostas a estudantes de filosofia).
– Vinícius Costa
Saiu na imprensa:
- Psicologia Revista: Quando as vozes são escutadas: resenha do livro A transferência irônica na esquizofrenia, de Marina Moreira Carrilho (2025)
Psicóloga e Mestre em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Psicanalista, membra do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo e psicoterapeuta de casal e família.
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