Os últimos anos foram especialmente intensos para o Direito Financeiro. Em meio a dificuldades fiscais, instabilidade política, transformações tecnológicas e crescente complexidade das relações entre os Poderes e os entes federados, as finanças públicas permaneceram no centro das grandes decisões nacionais.
A reforma tributária, sua regulamentação e o início de sua implementação mostraram que não há como compreender a reorganização do Estado brasileiro sem enfrentar temas essenciais do Direito Financeiro, como federalismo fiscal, repartição de receitas, governança interfederativa, planejamento, execução orçamentária e controle.
Ao mesmo tempo, o orçamento público seguiu como um dos principais campos de disputa política e institucional. O “orçamento secreto”, as “emendas pix”, os debates sobre transparência, legitimidade, fiscalização e titularidade do poder de decidir sobre o dinheiro público revelam que antigas controvérsias continuam atuais – agora sob novas formas.
Também ganharam destaque as tragédias climáticas, a agenda ambiental, a COP 30, os riscos fiscais, a securitização, a inteligência artificial, os desafios da Lei de Responsabilidade Fiscal em seus 25 anos e a necessidade permanente de prudência, governança e responsabilidade na gestão das contas públicas.
Os textos reunidos nesta 3ª edição permitem acompanhar, com linguagem clara e crítica, essa trajetória recente, oferecendo ao leitor elementos indispensáveis para compreender os desafios presentes e futuros das finanças públicas brasileiras.
E o título desta obra permanece plenamente atual: o maior desafio do Direito Financeiro continua sendo o de ser compreendido, respeitado e levado a sério. Ainda há muito por fazer. E, por isso mesmo, a luta continua.
Livre docente em Direito Financeiro e Doutor e Mestre em Direito Econômico, Financeiro e Tributário pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP). Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito e em Ciências Econômicas pela Faculdade de Economia e Administração, ambas da Universidade de São Paulo (USP). Professor de Direito Financeiro na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP). Juiz aposentado do Poder Judiciário do Estado de São Paulo. Consultor em Direito Financeiro.
Saiba mais
Parte 1 - RECEITAS PÚBLICAS E FEDERALISMO FISCAL
1.1 EMENDA CONSTITUCIONAL 105: Presente de Natal ou uma aposta na liberdade com responsabilidade?
1.2 FEDERALISMO FISCAL E(M) CRISE: Pandemia coloca em xeque as já difíceis relações financeiras na nossa Federação
1.3 ESTADOS E MUNICÍPIOS PEDEM SOCORRO: Lei Complementar 173 concede auxílio financeiro e flexibiliza gestão fiscal para ajudar a saírem da crise
1.4 O “PERDÃO BILIONÁRIO” ÀS DÍVIDAS DAS IGREJAS
1.5 (EN)ROLANDO AS DÍVIDAS E O FEDERALISMO
1.6 A ETERNA GUERRA CONTRA OS PRIVILÉGIOS FISCAIS: O PL 3203/2021 é mais uma batalha nessa luta que não avança
1.7 EMENDA CONSTITUCIONAL AUMENTA REPASSE PARA OS MUNICÍPIOS: Uma importante alteração no FPM que teve pouca repercussão na mídia
1.8 O VOO CEGO DA REFORMA FISCAL: A tão sonhada simplificação vai muito além de algumas fusões de tributos
1.9 REFORMA TRIBUTÁRIA E ARCABOUÇO FISCAL SÓ AUMENTAM A ANGÚSTIA DOS PREFEITOS
1.10 O DEBATE DA REFORMA TRIBUTÁRIA LEVA O DIREITO FINANCEIRO A SÉRIO?
1.11 REFORMA “TRIBUTÁRIA”, COMITÊ GESTOR DO IBS E DIREITO FINANCEIRO: Indefinições à espera de respostas
1.12 EMBATE SOBRE O IOF MOSTRA IMPROVISO PARA ARRECADAR MAIS EM CENÁRIO FISCAL PREOCUPANTE
Parte 2 - DESPESAS E POLÍTICAS PÚBLICAS
2.1 GASTOS DAS UNIVERSIDADES GERAM POLÊMICA E ACIRRAM DEBATE SOBRE RECURSOS DA EDUCAÇÃO
2.2 COMO GARANTIR A SOBREVIVÊNCIA DURANTE E NO PÓS-PANDEMIA?: Uma análise sobre os programas Renda Brasil, Coronavoucher e Bolsa Família
2.3 OS CARTÕES CORPORATIVOS E A INCESSANTE LUTA PELA EFICIÊNCIA E TRANSPARÊNCIA DOS GASTOS PÚBLICOS
2.4 LAGOSTAS COM LEITE CONDENSADO: A LEGITIMIDADE DO GASTO PÚBLICO: Um alerta aos gestores públicos: respeitar legitimidade dos gastos públicos é um imperativo constitucional
2.5 O DIREITO FINANCEIRO, O MEIO AMBIENTE E A AGENDA 2030
2.6 AS PREFEITURAS E OS SHOWS MUSICAIS: Cultura e diversão ou desperdício de dinheiro público?
2.7 DIREITO FINANCEIRO E O ATIVISMO JUDICIAL: Piso da enfermagem e sistema financeiro dos estados testam os limites do equilíbrio entre os Poderes
2.8 OS POVOS INDÍGENAS E O ORÇAMENTO PÚBLICO
2.9 ORÇAMENTO PARA A GUERRA: Quando o dinheiro público pode ser usado para matar
2.10 QUANTO CUSTA O PODER JUDICIÁRIO?
2.11 O DIREITO FINANCEIRO NAS TRAGÉDIAS CLIMÁTICAS
2.12 NESSAS OLIMPÍADAS, O DIREITO FINANCEIRO FICOU SEM MEDALHAS
2.13 COP 30 E O FUNDO DAS FLORESTAS: Entre o entusiasmo diplomático e a realidade financeira
Parte 3 - PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO
3.1 DISPUTA DE PODER TRAZ O ORÇAMENTO IMPOSITIVO DE VOLTA AO DEBATE
3.2 DIREITO FINANCEIRO E MEIO AMBIENTE: Como os instrumentos financeiros são fundamentais para proteger esse patrimônio da humanidade
3.3 O PLANO MAIS BRASIL E O PACOTE DE MUDANÇAS NO DIREITO FINANCEIRO
3.4 OS PLANOS DO GOVERNO BOLSONARO E A NECESSIDADE DE FORTALECIMENTO DO PLANEJAMENTO
3.5 DIREITO FINANCEIRO EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS
3.6 O INIMIGO MORA AO LADO: “Orçamento de guerra” exige controle e responsabilidade
3.7 FUNDO CLIMA E FUNDO AMAZÔNIA: O direito financeiro e o meio ambiente em debate no STF
3.8 O ANO DE 2020 CHEGA AO FIM: SERÁ MESMO?: A atividade financeira não para, e os efeitos de 2020 ainda se arrastarão por um bom tempo
3.9 O DIREITO FINANCEIRO PRECISA SER LEVADO A SÉRIO, E 2021 NÃO COMEÇOU BEM...
3.10 DISPUTA POR RECURSOS E PODER GERA NOVA CRISE ORÇAMENTÁRIA
3.11 O “ORÇAMENTO SECRETO”: Entenda a mais recente polêmica envolvendo o orçamento público federal
3.12 O “FUNDÃO ELEITORAL”, A LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS E O DEVER DE TRANSPARÊNCIA NOS GASTOS PÚBLICOS
3.13 ORÇAMENTO EM GUERRA: O processo orçamentário e a disputa pelo poder
3.14 AS EMENDAS PARLAMENTARES, O “ORÇAMENTO SECRETO”, A COOPTAÇÃO E CORRUPÇÃO NA POLÍTICA
3.15 ORÇAMENTO DE 2022: Dificuldades para compor necessidades e ser fiel à realidade
3.16 OS RECURSOS DA EDUCAÇÃO, OS PASTORES, AS ONGS E O DIREITO FINANCEIRO
3.17 EMENDAS PARLAMENTARES E ETERNA DISPUTA PELO ORÇAMENTO EXIGEM APERFEIÇOAMENTOS
3.18 PEC “MULTI-APELIDADA” REMENDA OU RE-EMENDA A CONSTITUIÇÃO?: Crise da PEC Kamikaze ressalta o protagonismo do Direito Financeiro e faz dele uma colcha de retalhos
3.19 O CENTENÁRIO DO CÓDIGO DE CONTABILIDADE DA UNIÃO: Um balanço do seu legado
3.20 NOVO PRESIDENTE, NOVOS GOVERNADORES, VELHO ORÇAMENTO: Os desafios para superar a deficiência do processo orçamentário em final de mandato
3.21 O “ORÇAMENTO SECRETO” E A CORRUPÇÃO
3.22 REVEILLON AGITADO PARA O DIREITO FINANCEIRO
3.23 “ORÇAMENTO SECRETO 2.0”: Os repasses sem transparência e a farra fiscal que não quer parar
3.24 ORÇAMENTO IMAGINÁRIO: Como a falta de credibilidade da lei orçamentária pode afetar negativamente o futuro de todos
3.25 EM 2023, O DIREITO FINANCEIRO PERDE MAIS UMA BATALHA NA LUTA PARA SER LEVADO A SÉRIO
3.26 INÍCIO DE 2024 SE MOSTRA PREOCUPANTE PARA AS CONTAS PÚBLICAS: Riscos fiscais ultrapassam 1 trilhão
3.27 A QUEM PERTENCE O ORÇAMENTO?
3.28 ORÇAMENTO SECRETO 3.0: A saga continua!
3.29 CORRAM QUE O ORÇAMENTO VEM AÍ: Truques e técnicas para deixar o dinheiro público longe da fiscalização
3.30 O DIREITO FINANCEIRO E O PODER DO DINHEIRO PÚBLICO NAS ELEIÇÕES
3.31 ORÇAMENTO, IMPEACHMENT E PÉ-DE-MEIA: 2025 inicia desafiador para o Direito Financeiro
3.32 A FOLIA ACABOU E A CONTA CHEGOU: Bolsos vazios e o Brasil no vermelho
3.33 A LÓGICA INVERTIDA DO ORÇAMENTO BRASILEIRO: Quanto mais importante, menos respeitado
3.34 ORÇAMENTO IMAGINÁRIO REVISITADO: Os desafios estruturais do PLOA 2026
3.35 “EMENDAS PIX”: A nova face do clientelismo e o risco da corrupção institucionalizada
3.36 SHUTDOWN: Quando o orçamento para um país
Parte 4 - GESTÃO PÚBLICA
4.1 “DIREITO FINANCEIRO 4.0”: O futuro chegou
4.2 PREFEITOS PRECISAM TRABALHAR SEM MEDO
4.3 A CPI DA COVID, O COMBATE À CORRUPÇÃO E A RESPONSABILIDADE DOS GESTORES PÚBLICOS
4.4 TRAGÉDIA DE PETRÓPOLIS EXPÕE AS MAZELAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
4.5 DIREITO FINANCEIRO E INOVAÇÃO: As finanças públicas precisam se adaptar à “Sociedade 5.0”
4.6 MARCO LEGAL DOS CRIPTOATIVOS E BLOCKCHAIN PODEM SER APROPRIADAS PELO SETOR PÚBLICO: As inovações são capazes de viabilizar o intercâmbio de dados no setor público, aumentando a transparência
4.7 OS DESAFIOS DO PAPA LEÃO XIV COM AS FINANÇAS DO VATICANO
4.8 RISCO, GOVERNANÇA E PRUDÊNCIA: Lições do escândalo do Banco Master para os RPPS
Parte 5 - FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA
5.1 FIQUE ALERTA: O tribunal de contas está de olho
5.2 DECISÕES DOS TRIBUNAIS DE CONTAS REACENDEM POLÊMICA SOBRE LIMITES DE SUA ATUAÇÃO
5.3 Paralisia das obras públicas trava o desenvolvimento do país
5.4 O COMBATE À CORRUPÇÃO E A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL EXIGEM RIGOROSA FISCALIZAÇÃO NA APLICAÇÃO DOS RECURSOS PÚBLICOS
5.5 TRIBUNAIS DE CONTAS E AS “JOIAS DA COROA”: Fiscalizando o patrimônio público
5.6 É PRECISO VOLTAR A LUTAR CONTRA O AVANÇO DA CORRUPÇÃO
Parte 6 - DÍVIDA PÚBLICA E RESPONSABILIDADE FISCAL
6.1 BANCO CENTRAL E TESOURO: Relações íntimas, mas que precisam ser públicas e transparentes
6.2 O DRAMA DE UM GOVERNO “COM-TETO”: Pressão por gastos põe em xeque a credibilidade do ordenamento jurídico
6.3 A PEC EMERGENCIAL ACENDE UMA ESPERANÇA PELA SUSTENTABILIDADE FISCAL
6.4 SOBRAM ARMAS PARA O ATAQUE AO DIREITO FINANCEIRO: Crise econômica, pandemia, precatórios e até absorventes: equilibrar receitas com despesas nunca será tarefa fácil
6.5 PANDEMIA REFORÇA A IMPORTÂNCIA DA LUTA PELO DIREITO FINANCEIRO
6.6 “PEC DA GASTANÇA” NÃO TRAZ BOAS NOTÍCIAS PARA O FUTURO DO DIREITO FINANCEIRO
6.7 NOVO “ARCABOUÇO” E AS EXPECTATIVAS DE QUE NÃO SEJA “CALABOUÇO” DA GESTÃO FISCAL RESPONSÁVEL
6.8 OS GOVERNOS E O DILEMA DO “TETO”: Como estabelecer um “freio” para a vontade de gastar e se endividar sem limites?
6.9 META ZERO: Como tentar gastar apenas o que se arrecada transformou a meta em inatingível
6.10 META FISCAL PÕE EM XEQUE CREDIBILIDADE DO GOVERNO FEDERAL
6.11 O “PACOTE FISCAL” DE NATAL: Uma colcha de retalhos e promessas vazias
6.12 LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL: 25 anos de conquistas, desafios e lições
6.13 SECURITIZAÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA: Um potencial inexplorado da Lei Complementar n. 208
6.14 SOBERANIA COM IMPROVISO FISCAL E MAIS UMA GAMBIARRA ECONÔMICA
6.15 PLANEJAMENTO ABANDONADO, ELEIÇÃO ANTECIPADA: O retrato do orçamento de 2026