Uma breve história apocalíptica da psicanálise
No coração da psicanálise esconde-se um trauma apagado. É aquele sofrido por Sigmund Freud no dia em que soube que uma de suas pacientes quase morreu após uma cirurgia que ele havia aprovado. Inconscientemente identificada como uma repetição da mutilação genital sofrida por Emma Eckstein em sua infância, essa operação despertou nele fortes angústias, que ecoavam sua própria circuncisão, o contexto violentamente antissemita e o conflito com seu pai. O reconhecimento desse fato, mantido oculto por tanto tempo, revela uma nova narrativa sobre a fundação da psicanálise, permitindo compreender como Freud pôde elevar a castração ao status de forma a priori do traumático, ocultando ao mesmo tempo as mutilações genitais frequentemente impostas a mulheres e meninas. O trauma não reconhecido da circuncisão inscreveu se, assim, no sistema de pensamento freudiano como uma herança amputada, da qual brotaram e floresceram os sonhos e fantasias de seus discípulos mais próximos. Em especial, Sándor Ferenczi, aluno e confidente de Freud, contribuiu para reconhecer esse corpo ferido, lançando novas bases para a teoria e a prática psicanalítica.
Analista com funções de formação e supervisão na Sociedade Italiana de Psicanálise e Psicoterapia Sándor Ferenczi, presidente da International Sándor Ferenczi Network (ISFN), editor-chefe da revista The Wise Baby / Il poppante saggio e editor associado da revista International Forum of Psychoanalysis.
Saiba mais
Prefácio
Elisabeth
Roudinesco
Introdução
Nota Lexical: castração,
circuncisão, excisão
Parte I – A mulher, um homem
castrado
1. A voz de Ferenczi
2. Ódio à mulher e veneração ao
homem
3. “Continente escuro”
Parte II – O código
4. Amil, Trimetilamina = Brit
Milah
5. O grande senhor pênis
6. A noiva de sangue
7. O túmulo
Parte III – Transmissão
8. Uma lacuna como
hereditariedade
9. Catástrofe
Parte IV – O fechamento do
círculo
10. Cobras gigantes e dragões
ainda vivos
11. Lacunas e substitutos
12. O nariz como fetiche
Epílogo
Referências