Luto e melancolia

Precedido por “Abordagens à investigação e ao tratamento psicanalíticos da insanidade maníaco-depressiva e de estados relacionados” (1912), de Karl Abraham

selo: Blucher | 2025 - 1ª edição | coleção: Pequena biblioteca invulgar

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Sinopse

É possível afirmar que tradução e luto são trabalhos intimamente relacionados porque ambos se alinham no esforço de deixar passar — em contraste com a relutância que, de tanto reter, acaba por redundar num pesaroso enfezamento. Se Abraham fala em resultados de pesquisa ainda imperfeitos e lacunares, mas sustenta a psicanálise em contraposição ao pesadume do niilismo terapêutico, talvez seja pelo mesmo motivo pelo qual Freud inicia seu texto dizendo ser preciso abrir mão: ao acatar as concessões exigidas pelo arado da linguagem, afinal, corre-se mais o risco de triscar o objeto pelos sulcos da palavra.

– Paulo Sérgio de Souza Jr.

Sigmund Freud

Ainda com 62 anos de idade, começou a compor este ensaio no começo de 1919, logo após a Primeira Guerra Mundial, que havia sido deflagrada em 1914 e terminado havia poucos meses, no ano anterior.

Num ambiente marcado pela intensa reconfiguração política e geográfica, em 17 de março, ele escreveu a Sándor Ferenczi dizendo que, mesmo não sendo patriota, não deixava de ser torturante pensar que, agora, praticamente o mundo todo lhe era estrangeiro; aliás, devido à dissolução do Império e à criação da República Húngara, o próprio Ferenczi já se encontrava noutro país. Como boa parte dos habitantes de Viena, Freud também estava sofrendo as agruras do colapso da economia austríaca, uma vez que a alta inflação desvalorizara sobremaneira a moeda local — e, evidentemente, reduzira a nada os montantes poupados por aqueles que atravessaram os anos de conflito. Com isso, vendo-se forçado a receber a maior quantidade possível de casos, também deu preferência aos estrangeiros, pois vinham munidos de moedas fortes.

Nesse período, Freud atendia mais em língua inglesa do que em alemão, com a agenda abarrotada de analisantes do Leste Europeu e dos Estados Unidos da América — muitos deles desejosos da formação analítica no divã do inventor da disciplina à qual se dedicavam. Foi nesse período, também, entre meados de março e abril, que ele redigiu o primeiro manuscrito de Além do princípio de prazer, contemporâneo à publicação da quinta edição de A interpretação dos sonhos. Com o trânsito não mais impedido pela guerra, Freud viajou em 15 de julho para fugir do verão e desfrutar das águas curativas da Villa Wassing, na região da estância termal alpina de Bad Gastein: a primeira viagem em cinco anos. Já em 9 de setembro, o destino foi Hamburgo, onde ficou até o dia 24 para visitar Sophie — o seu último encontro com a filha, que viria a falecer em janeiro do ano seguinte, vítima da gripe espanhola. Ainda em outubro de 1919, quando o término da guerra estava para completar um ano, Freud se tornou professor titular da Universidade de Viena; fato que, como ele declara, não lhe significou novos compromissos, tampouco grandes recompensas financeiras, mas garantiu prestígio o suficiente para que ele passasse, em certos círculos, a ser visto com outros olhos.

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Detalhes do livro

  • Tipo:  Livro Impresso
  • ISBN:  9788521227830
  • Acabamento:  Brochura
  • Total de Páginas:  112 páginas
  • Coleção:  Pequena biblioteca invulgar
  • Ano da Edição:  2025
  • Peso:  0,157 kg