Expandir a psicanálise
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Lacan
correu o risco da topologia desde o início. A partir de 1953, basta ver seus Escritos
em que ele relaciona a estrutura da fala ao
toro. Sem correr esse risco, ele não teria conseguido inventar nem o objeto a
nem o real borromeano. Ele também correu o risco da poesia. Desde 1933, ao
publicar “Hiatus irrationalis”, soneto diretamente inspirado por sua leitura da
tese que Koyré acabara de lhe dedicar, da mística de Jacob Böehme, e na qual
flui a torrente do gozo feminino.
Para que
serve a topologia borromeana? Serve para cingir o furo, o verdadeiro, seus
pontos de entrave e rangidos (portanto, de gozo). Esse verdadeiro furo da
estrutura é o que a poesia tenta não voltar a tapar. “A poesia não mais se
impõe, ela se expõe”, escreve Paul Celan. A psicanálise também.
Extrair
algumas consequências clínicas e estruturais dessa escrita do real borromeano
que Lacan inventou é o que tenta fazer este livro, que reúne uma seleção de
trabalhos e apresentações do autor nestes últimos dez anos.
Michel Bousseyroux
Excerto adaptado do Preâmbulo
***
Prefácios de Albert Nguyên (edição francesa) e Conrado Ramos (edição brasileira)
Psiquiatra e psicanalista em Toulouse (França). Fez sua análise com Jacques Lacan. É Analista Membro de Escola (AME) da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano e de sua Internacional (Internacional dos Fóruns). Leciona no Collège de Clinique Psychanalytique du Sud-Ouest da França e criou, bem como dirigiu, a Revista de Psicanálise L’En-Je Lacanien.
Saiba mais
Prefácio à edição de bolso
Prefácio à
primeira edição
Albert
Nguyên
Prefácio à edição brasileira
“Você sonha muito? De que são feitos os seus sonhos?”
Conrado
Ramos
Preâmbulo
Parte I
O ser sexuado e seus gozos
Entre lógica e topologia
1. Pesquisas sobre o gozo outro
2. O nãotodo: sua lógica e sua topologia
3. O espaço do estreitar-se e seu nó
Parte II
Estruturas clínicas e nominações
O que se aprende com a topologia
4. Revisão da paranoia
5. Da fissura aos abismos
6. O homem que perdera seu reflexo por causa de uma flor
7. As doenças da indistinção
8. A não relação sexual e o que faz suplência a ela
A relação sexual e o que faz frente a ela
9. Identidade: o Homem dos lobos
O passaporte da fantasia
10. Philippe, o Claro
O falasser ao clarão da letra
11. Nomes e renomes do Pai
Contribuição para uma teoria borromeana da nominação
12. Posição do sintoma
13. Mais além do inconsciente, 4, 5, 6
14. O Nóbo de Lacan
Visão de conjunto sobre a clínica borromeana
Parte III
O tempo do fim
A experiência do real
15. O objeto
kleiniano e o passe
16. Passe e fim pelo nó
17. O tempo urge
18. Tampão do real e desfecho da análise
Parte IV
Lacan, Blanchot, Celan, Cheng: à beira do étrou
19. Do matema ao poema: qual real?
20. Qual poesia depois de Auschwitz?
Paul Celan: a experiência do verdadeiro furo
21. A resposta de Maurice Blanchot: sua Befindlichkeit no real
22. Fazer mais que falar: o Vazio mediano e a escrita borromeana
Referências
Outros títulos da Série Dor e Existência